Google
 

sábado, 26 de abril de 2008

Políbio Gomes dos Santos

Epitáfio

 

Menino, bem menino, fiz o meu balão

Papel de seda às cores...

- Tantas eram!

Ai, nunca mais as vi, nos olhos se perderam.

Quando a tarde morria o meu balão subiu

E tão direito ia, tão veloz correu

Que eu disse: "Vai tombar a Lua

E talvez queime o céu."

Anoiteceu.

E no horizonte o meu balão era uma rosa

Vermelha, não minha, aflitiva,

Murchando,

Poisando na água pantanosa

De além.

Ninguém o viu.

Ninguém colheu a angústia dum balão ardendo.

Somente a água verde rebrilhou acesa,

Clamorosa e podre,

Como nos incêndios de Veneza

E rãs, acreditando o mal mortal e seu

Foram fugindo, pela noite fria,

Do balão que ardeu.

Ó tu, quem sejas, o balão fui eu!

Sem comentários: