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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sara F. Costa

rasgo a fala pelas suas fendas.
bebo o fumo tardio de um domingo
menos espesso que os outros.
procuro uma noite comprida
onde possa afogar todas as sombras
e escaldar o inconsciente,
para lá da dolorosa superfície
das coisas.
as horas tremem.
mas estou parada
e o eixo à volta do qual
se inflama a rotação da linguagem
é demasiado curto.


In "Nas entranhas do mar"

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