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sábado, 14 de junho de 2008

Jorge de Sena

Conheço o Sal


  • Conheço o sal da tua pele seca
    depois que o estio se volveu inverno
    da carne repousando em suor nocturno.

  • Conheço o sal do leite que bebemos
    quando das bocas se estreitavam lábios
    e o coração no sexo palpitava.

  • Conheço o sal dos teus cabelos negros
    ou louros ou cinzentos que se enrolam
    neste dormir de brilhos azulados.

  • Conheço o sal que resta em minha mãos
    como nas praias o perfume fica
    quando a maré desceu e se retrai.

  • Conheço o sal da tua boca, o sal
    da tua língua, o sal de teus mamilos,
    e o da cintura se encurvando de ancas.

  • A todo o sal conheço que é só teu,
    ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
    um cristalino pó de amantes enlaçados.

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