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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Alberto de Lacerda

PONTA DA ILHA


O corpos dados com melodia
As melodias do meu ardor!
Ó pretas lindas! Ponta da Ilha!
Vestem soberbos panos de cor.
Deles se despem com grã doçura,
Vénus despida do próprio mar.
É com doçura que negras, lindas,
Desaparecem no meu calor.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Alberto de Lacerda

JÓIAS


Jóias que imensa madrugada
De estrelas na ilha alegre
Do riquechó contemplo as conchas
Celestes a cintilar
São conchas algas são prodígios
Do mar que os deuses cravejaram
Assimetricamente musicalmente no firmamento

Alberto de Lacerda

MOÇAMBIQUE


O Oriente surgido do mar
Ó minha Ilha de Moçambique
Perfume solto no oceano
Como se fosse em pleno ar

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Alberto de Lacerda


Ó festa de luz de mar tranquilo
De casas brancas dum branco rosa
Dum tempo antigo que aqui ficou


Ó ilha pura incandescente
Que me geraste três vezes mãe
Três vezes para mim sagrada
Por teres deuses tão variados
Por seres livre da liberdade
Que os deuses gregos orientais
Marcam a fogo um fogo alegre
Naqueles seres naquelas ilhas
Que eles nomeiam seus próprios filhos
Por motivos sobrenaturais

Alberto de Lacerda

O verde é muito verde
A luz mais clara
Do que nunca
As recordações são do tamanho
Do coração transbordante

O calor é Apolo
perpendicular à terra

Os pássaros
os esquilos
Atravessam a imaginação numa diagonal sem fim

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Alberto de Lacerda

  • Não encontraste a rua


Não encontraste a rua
Não encontraste a casa
Não encontraste a mesa
No café que alguém
Por engano indicou.


Mas a cidade é esta
E não outra


Não encontraste o rosto
O anel caiu


Ninguém sabe aonde.

  • Falemos de Miosótis


Visto que Você não quer que as coisas continuem
Assim
Nesse caso
Falemos de miosótis
Flor sobre a qual não sabemos
Nada

  • Imagem


No firme azul do desdobrado céu
Decantarei a mínima magia
Das sensações mais puras, melodia
Da minha infância, onde era apenas Eu.


Da realidade nua desce um véu
Que, já sem mar, apenas maresia,
me vem tecer aquela chuva fria,
Que prende esta janela ao claro céu.


Despido o ouropel desvalioso,
Já não apenas servo, mas o Rei
Da luz da minha lâmpada nomeia,


Assim procuro o centro misterioso
Do mundo que hoje habito, onde serei
Concêntrica expressão da vida inteira.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Alberto de Lacerda

 

Hino ao Tejo

Ó Tejo das asas largas

Pássaro lindo que se ouve em todas as ruas de Lisboa

Ó coroa duma cidade maravilhosa

Ó manto célebre nas cortes do mundo inteiro

Faixa antiga duma cidade mourisca

Fênix astro caravela liquida

Silêncio marulhante das coisas que vão acontecer

Deslizar sem desastres sem fado sem presságio

Tu ó majestoso ó Rei ó simplicidade das coisas belíssimas

Nas tardes em que o sol te queima passo junto de ti

E chamo-te numa voz sem palavras marejada de lágrimas

Meu irmão mais velho

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Alberto de Lacerda

Ilha de Moçambique

Desfeitos um por um os nós sombrios,

Anulada a distancia entre o desejo

E o sonho coincidente como um beijo,

Exalei mapas que exalaram rios.

 

Terra secreta, continentes frios,

Ardei à luz dum sol que é rumorejo

Para lá do que eu sou, do que eu invejo

Aos elementos, aos altos navios!

 

Trouxe de longe o palácio sepulto,

A cobra semimorta, a bandarilha,

E esqueci poços, prossegui oculto.

 

Desdém que envolve por completo a quilha,

Sou bem o rei saudoso do seu vulto,

Vulto que existe infante numa ilha.