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domingo, 25 de maio de 2008

Luís Veiga Leitão

 

NÃO

Não queremos o sangue das crianças

na boca das batalhas posto

— fauce podre de lamas desertas

Mas correndo vivo sob o rosto

numa alegria de flores abertas

Não queremos o sangue dos jovens

cobrindo o frio das Baionetas

— morto lume verde sobre a neve

Mas correndo a arder nas noites pretas

para que as manhãs cantem breve...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Luís Veiga Leitão

Acompanhamento Lírico

 

Desceu a nuvem. E de vale em vale

a manhã ficou pálida suspensa

Árvores lama fronte de quem pensa

vestem de branco um branco glacial

Como flecha de lume no vitral

também minha alma que brilhou intensa

novamente afogou sua presença

no fundo de uma túnica irreal

E levo-a

pelo mar fora pelo mar da névoa

sob o silêncio úmido profundo

em cujas mãos de lágrimas deponho

o mutilado corpo do teu sonho

corpo sem asas de voar no mundo

Luís Veiga Leitão

A uma bicicleta desenhada na cela

Nesta parede que me veste
da cabeça aos pés, inteira,
bem hajas, companheira,
as viagens que me deste.
Aqui,
onde o dia é mal nascido,
jamais me cansou
o rumo que deixou
o lápis proibido…
Bem haja a mão que te criou!
Olhos montados no teu selim
pedalei, atravessei
e viajei
para além de mim.