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quarta-feira, 1 de abril de 2009

António Botto

Meus olhos que por alguém

Deram lágrimas sem fim

Já não choram por ninguém

- Basta que chorem por mim

Arrependidos e olhando

A vida como ela é,

Meus olhos vão conquistando

Mais fadiga e menos fé.

Mas se as coisas são assim,

Chorar alguém - que loucura!

- Basta que eu chore por mim.


Poema de António Botto gravado em disco por Teresa Silva Carvalho

António Botto

Não beijemo-nos apenas
Nesta agonia da tarde.
Guarda -
Para outro momento,
Teu viril corpo trigueiro.
O meu desejo não arde
E a convivência contigo
Modificou-me - sou outro...
A névoa da noite cai.
Já mal distingo a cor fulva
Dos teus cabelos - És lindo!
A morte
Devia ser
Uma vaga fantasia!
Dá-me o teu braço: - não ponhas
Esse desmaio na voz.
Sim, beijemo-nos, apenas!
- Que mais precisamos nós?

terça-feira, 31 de março de 2009

António Botto

PALAVRAS DE UM FAISÃO


Perdi-me d'amor!

É uma pomba muito azul -
Um azul cor de céu quando há sol;
E hei-de fugir com ela
Por causa dum rouxinol ciumento
Que me apoquenta
Dizendo
Melodias de ironia penetrante.
Iremos
A esse país nevoento,
Lendário, belo, distante,
Lá onde a Lua se esconde
Em névoas que eternamente lá pairam...

Ó névoa, porque envolveis
O país de Lord Byron?

Às vezes
Penso num pajem que me teve
E num rei que me beijava
Quando a Rainha dormia...
Mas quando lho disseram
Bateu-me tanto
Que eu em longos ais morria...

Não ouvem?...

Lá continua
De novo
O rouxinol a dizer...
Ai, mas, se houver
Uma pequena verdade
No que ele insinua
- É lume caindo numa ferida -
Jamais aqui voltarei.

Num lago da velha Escócia
Darei fim à minha vida.



Aves de Um Parque Real - As Canções de António Botto - Editorial Presença 1999

António Botto

O que desejei às vezes 
Diante do teu olhar,
Diante da tua boca!

Quase que choro de pena
Medindo aquela ansiedade
Pela de hoje - que é tão pouca!

Tão pouca que nem existe!

De tudo quanto nós fomos,
Apenas sei que sou triste.





Aves de Um Parque Real - As Canções de António Botto - Editorial Presença 1999

segunda-feira, 30 de março de 2009

António Botto

Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas

Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronze

Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho

Ele, olhava-me cismando;
E eu,
Placidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.

Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.

Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar...

Olhei o céu!

Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A linda noite sombria.

Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento

Vinha longe a madrugada.

Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha..., até cair.





Aves de Um Parque Real - As Canções de António Botto - Editorial Presença - 1999

António Botto

À memória de Fernando Pessoa

Se eu pudesse fazer com que viesses

Todos os dias, como antigamente,

Falar-me nessa lúcida visão -

Estranha, sensualíssima, mordente;

Se eu pudesse contar-te e tu me ouvisses,

Meu pobre e grande e genial artista,

O que tem sido a vida - esta boémia

Coberta de farrapos e de estrelas,

Tristíssima, pedante, e contrafeita,

Desde que estes meus olhos numa névoa

De lágrimas te viram num caixão;

Se eu pudesse, Fernando, e tu me ouvisses,

Voltávamos à mesma: Tu, lá onde

Os astros e as divinas madrugadas

Noivam na luz eterna de um sorriso;

E eu, por aqui, vadio de descrença

Tirando o meu chapéu aos homens de juízo...

Isto por cá vai indo como dantes;

O mesmo arremelgado idiotismo

Nuns senhores que tu já conhecias -

Autênticos patifes bem falantes...

E a mesma intriga: as horas, os minutos,

As noites sempre iguais, os mesmos dias,

Tudo igual! Acordando e adormecendo

Na mesma cor, do mesmo lado, sempre

O mesmo ar e em tudo a mesma posição

De condenados, hirtos, a viver -

Sem estímulo, sem fé, sem convicção...

Poetas, escutai-me. Transformemos

A nossa natural angústia de pensar -

Num cântico de sonho!, e junto dele,

Do camarada raro que lembramos,

Fiquemos uns momentos a cantar!



Poema de Cinza - As Canções de António Botto
Editorial Presença - 1999

domingo, 29 de março de 2009

António Botto

Anda vem...

*

Anda vem..., porque te negas,

Carne morena, toda perfume?

Porque te calas,

Porque esmoreces,

*

Boca vermelha --- rosa de lume?

Se a luz do dia

Te cobre de pejo,

Esperemos a noite presos num beijo.

*

Dá-me o infinito gozo

De contigo adormecer

Devagarinho, sentindo

O aroma e o calor

*

Da tua carne, meu amor! E ouve, mancebo alado:

Entrega-te, sê contente! ---

Nem todo o prazer

Tem vileza ou tem pecado!

*

Anda, vem!... Dá-me o teu corpo

Em troca dos meus desejos...

Tenho saudades da vida!

Tenho sede dos teus beijos!

sábado, 28 de março de 2009

António Botto

 

Transformação

É noite: na escuridão

As nuvens parecem fumo

E não deixam ver a Vénus,

Linda estrela da manhã!

Vai rebentar um chuveiro

Porque a ventania pucha

Uma grande tempestade:

Gaivotas em terra, fujo -

E fico ao pé de um guindaste;

Mas, nisto, uma divina claridade

- É o dia que rompe e a luz do Sol

Já numa tira ou faxa cor de rosa

Com misturas de azul e um verde claro

Que eu nunca tinha visto pelos céus!,

A chuva suspendeu, não houve nada

Senão a maravilha sem par

De uma linda madrugada!

Fiquei, sozinho, a fixar

Os astros que se abraçaram

Na luz de um silêncio quente

E em que se ouvia somente

No meu coração cheio de amor,

Mas sempre pronto para amar,

O riso inúmero das ondas

Na infinita vastidão do mar!

António Botto

 

Cinco Réis de Gente

Cinco réis de gente

Vai sempre na frente

Dos outros que vão

Cedo para a Escola;

Corpinho delgado,

O olhar mariola,

- Belos os cabelos,

Quantos caracóis!

Mas as mangas rotas

Nos dois cotovelos

São de andar no chão

Atrás dos novelos!

Nos olhos dois sóis

Que alumiam tudo!

A mãe, tecedeira,

Perdeu o marido,

Mas vive encantada

Para o seu miúdo!

António Botto

Cantiga

Se os meus olhos te incomodam

Quando estou na tua frente

Desde já posso arrancá-los

Para te amar cegamente.

Seja o que for, não me importa,

Mas sei que não é por mim

Que os teus nervos adoecem

E andam sem governo, e assim...

Outra vida, não a minha,

Outro abraço e outro beijo

Te perturba e te desvaira

- Não mintas!, porque eu bem vejo!

Mas, continua, vai indo

Sim, vai até te cansares!,

Para ver o que tu contas

Se algum dia me voltares!

Não te incomodes comigo.

Nas lágrimas também há

Satisfação e conforto;

Nem tudo o que alguém nos mata

Fica perdido ou é morto.

O coração ressuscita

Muita coisa que julgámos

Esquecida para sempre

Nas sombras da realidade;

O coração tem uma vida

Que pode tudo no mundo,

Chama-se apenas: Saudade!

Com ela é que eu vou vencendo

Este grande desalento

Que apaga os gritos da carne

Em falas do pensamento!

Agarro-me às sensações

Que foram o dia de ontem

- Felicidade sem névoa

Dos nossos dias felizes!

E fico a chorar de raiva

Por não ver bem a mentira

Que há nos silêncios marcados

De tudo quanto me dizes!

Acabou-se. E tu desculpa.

Falei, agora, e não digo

Nunca mais uma palavra

Acerca do nosso amor.

Fica por lá se quiseres

Até mudares ou seres

Numa nova reacção,

Límpida, pura, fremente,

Outra tortura presente

Na minha humilde paixão!

Outro céu, outro destino,

Ou outra condenação!

sexta-feira, 27 de março de 2009

António Botto

 

O Campino

Campino do Ribatejo!

Figura que nasce e morre

Nos campos da beira-mar!

Tão portuguesa e tão bela

Na sua simplicidade

Que até na sua pobreza

Nunca sabe mendigar!

Entre cavalos e toiros

Na lezíria assoalhada

A sua figura esbelta

Tem um encanto infinito:

Barrete verde; o colete

Encarnado sobre a neve

Da camisa de algodão;

Jaleca bem recortada,

Meia branca, os albardões,

As esporas, o calção

Azul cobalto justinho

E a cinta escarlate quente

Da cor do sangue ou do vinho.

Além, naquele valado,

As papoilas e o junquilho

Fazem trofeu, há mais luz!

Um harmónio no fadango

Vibra e salta no compasso

Magoadamente agitado!

Anda no ar o farrapo

Dolente de uma cantiga

Mordida pelo ciúme!

E o fandango vai dançado!

Ninguém se mexe. Só ele,

Bamboleado, rirail

Desempenado, perfeito,

- E as pernas? Como ele as dobra?

E aquela curva do peito?

Trás um cravo na orelha,

E dança, dança, - o harmónio

Vai-lhe graduando o alento,

A luz perturba, - mulheres

Ficaram mudas a olhá-lo!

A garotada assobia

Acentuando o mitovo

Musical, mas, a preceito;

E o Sol, apesar do dia

Nascer fosco e marralheiro,

Parece lume! - O fandango

Com a graça de um campino

É Portugal verdadeiro!

António Botto

 

No Tejo

Depois da faina, o navio -

Já lá vai pelo mar fora!

A faina foi dura e a carga

Foi tanta que o alcatrate

Quase que ficou rez-vez;

Tinham que olhar com cuidado

Aonde se punha os pés!

Mas tudo se fez e em bem!

O peor foi a noite perdida

Sempre a mexer e a trabalhar

Para o navio largar

Ao romper da madrugada!

Noite fria de Novembro

Em que as estrelas tristes lá no céu

Pareciam distantes e perdidas

De tudo a que elas dão amparo e guia!

Parecia que a noite era infinita

Que não deixava

Nascer o dia!

Ninguém dormiu. O camarada,

O arrais, o moço - e ao porão,

Uma contra-mestre aloirado,

Tipo nórdico a fumar,

Continuamente, cachimbo,

Ia dizendo a uns dois

Que arrumassem com cuidado

A carga que ia descendo...

O barulho dos guindastes

Raspava na pele impulsos

Que davam tosse e mau-estar

E como de um gigante que dormisse

Ouvia-se a respiração do mar!

Mas com a luz do Sol, oiro e alegria!

Passam, agora, lentos e lavados

- Só a vela de estaia vai erguida!

Os barcos com os mastros levantados

A caminho das docas onde ficam

À espera de outras safaras iguais!

Uma mulher dá de mamar ao filho

Ali sentada a um canto sobre o cais!

quinta-feira, 26 de março de 2009

António Botto

Pedir amparo a alguém é uma loucura.
Pedir amor,
Também nada resolve – e para quê?


O amor corre – e em seus próprios movimentos
Isola-se, e de tudo parece que descrê;
E quando vem dizer-nos que é verdade,
Vê-se a mentira
Em que ele a rir afirma o que não vê.

António Botto

 

Não queiram saber quem ele é.

Deixem-no andar

No tristíssimo segredo

Que o meu coração

Tem guardado avaramente!...

Quem ele é? - Não perguntem.

É um sonho, uma ilusão,

- Não é ninguém! Não é gente.

E teimam em perguntar

Quem é que assim me domina

Com tamanha realidade?

Não é ninguém! É um sonho

Que anda a ficar em saudade!

quarta-feira, 25 de março de 2009

António Botto

Fui agora mexer nas tuas cartas.


Quem pudesse voltar a acreditar
Nessas palavras doidas e transidas
De febre no delírio da paixão
Que arrastaram num sonho as nossas vidas
Misturando-as na mesma reacção!
Aqui há um juramento além da morte.


Ali dizes que vens logo à noitinha;
E um cheiro a vinho e a fruta – Que doidice!,
Paira naquele quarto de hotel
Onde fiquei três dias e três noites
Esquecido de tudo à tua espera!


Estávamos em Março; Primavera.


Nesta um abraço ainda cinge e aperta
Meu corpo vibrante,
E ali rasga o papel o teu ciúme
Num beijo sensualíssimo de amante.


Além, mais alto, impões que te apareça
– E a noite era uma noite muito fria!


Tanta carta a falar do nosso amor,
Tanta coisa que morre e nem nos deixa
Sequer um vago som de simpatia?


O que eu chorei quando esta recebi,
Esta que diz: «Não volto a procurar-te.»
E atrás de ti segui por toda a parte,
Até que te encontrei; e ardentemente
Voltámos à loucura que findou.


Como é que a gente pode mudar tanto
Sem sentir pela hora que passou
– Por essa hora linda de prazer,
Uma saudade, um pormenor qualquer
– Ficarmos alheados ou suspensos –
Uma tristeza, uma tremura, um ai
Que nasce e vai morrer lá onde a realidade
Começa e não acaba e nunca expira?...


Não leias estes versos. Tudo isto,
Tudo isto, afinal, é só mentira.

António Botto

Envolve-me amorosamente
Na cadeia de teus braços
Como naquela tardinha...
Não tardes, amor ausente;
Tem pena da minha mágoa,
Vida minha!


Vai a penumbra desabrochando
Na alcova
Aonde estou aguardando
A tua vinda...
Não tardes, amor ausente!
Anoitece. O dia finda...
E as rosas desfalecendo
Vão caindo e murmurando:
– Queremos que Ele nos pise!
Mas, quando vem Ele, quando?...

terça-feira, 24 de março de 2009

António Botto

Morrer jovem,

Eis a minha aspiração

Não me agrada chegar à velhice

E viver, inutilmente, na sombra,

Renunciando, privado…

Morrer jovem,

E de rosas coroado!

segunda-feira, 23 de março de 2009

António Botto

Versos desencontrados

Em nada ou em ninguém
Eu deveria acreditar!
Nem no amor, nem na vida. - As ilusões,
Mesmo até quando vêm disfarçadas
E já conhecem o cliente, hesitam,
E chegam a partir envergonhadas...
As ilusões -
Também têm os seus mais preferidos;
E àqueles que ficaram na ruína
Do pensamento, e são - por graça de conquista
Os pálidos mortais desiludidos,
A esses já não correm muito afoitas
Na mentira das grandes fantasias!
- É por isso que eu hoje ainda vivo
À margem das ridículas tragédias
Que lemos nos jornais todos os dias.

Atulham-se os presídios; no degredo,
Atados à saudade, vão ficando,
- Como lesmas ao luar, esses que matam,
E pelo amor tombaram na desgraça:
- Um sonho, um beijo, uma mulher que passa!
Só a guitarra os lembra ao triste fado
Nos ecos diluídos e chorosos
E fundos do lusíada, coitado!
Eu olho para tudo que enxameia
Nesta viela escura da existência
Como quem se debruça num abismo
E fica revolvendo a consciência
Na tristeza infinita de um olhar!...
- A humanidade é vil e o seu egoísmo
Tem base na vileza de vexar.

Sim;
Por qualquer coisa os homens tudo vendem:
Palavra, dignidade, a própria vida,
Só porque desconhecem a doutrina
Bendita de Jesus; - esse tesoiro,
Essa fonte de luz onde aprendi
A ser leal e amigo e a respeitar
Aquela que nos risos do meu lar
Desembaraça os fios de uma queixa
No mistério que cinge o verbo amar.

Mas quando um ano acaba e outro vem,
Embora a minha fronte e os meus cabelos
Envelheçam na marcha para o fim
E um sabor de renúncia e de cansaço
Vibre, cantando, aqui, dentro de mim,
Rebenta-me no peito uma esperança
Tão lúcida, tão viva, e tão ungida
Na fé que ponho erguendo a minha prece -
Que peço a Deus do fundo da minha alma
Que a todos os que sofrem neste mundo
Dê o conforto de uma vida calma.





Aves de Um Parque Real - As Canções de António Botto - Editorial Presença 1999

domingo, 22 de março de 2009

António Botto

Soneto

Se, para possuir o que me é dado,
Tudo perdi e eu própio andei perdido,
Se, para ver o que hoje é realizado,
Cheguei a ser negado e combatido.

Se, para estar agora apaixonado,
Foi necessário andar desiludido,
Alegra-me sentir que fui odiado
Na certeza imortal de ter vencido!

Porque, depois de tantas cicatrizes,
Só se encontra sabor apetecido
Àquilo que nos fez ser infelizes!

E assim cheguei à luz de um pensamento
De que afinal um roseiral florido
Vive de um triste e oculto movimento




Aves de Um Parque Real - As Canções de António Botto - Editorial Presença 1999

António Botto

Romântica

Rasgaram as névoas
Que há pouco embrulhavam
As margens lendárias do rio Mondego;
As águas acordam
E ficam pasmadas
Reflectindo o azul da manhã radiante...

Sinto-me tão perto de tudo que é triste
Que os meus olhos sofrem
Com esta alegria - talvez provocante.

Coimbra, serena, mostra o seu contorno
Airosa e gentil - como fascinada
Na luz que é mais viva, difusa, doirada...

Tudo nela canta no alto silêncio
Das coisas divinas que falam do amor;
- Aqui, uma folha que tombou na aragem,
Mais além, uma flor...

Altiva -
Guarda na história dos tempos
A lembrança diluída
Dos seus romances guerreiros
Mesclados de sonho.
E a paisagem nua
Mais lúcida e bela,
Recortada e linda
Nesta claridade... - o dia floresce,
Aumenta - e as águas,
Translúcidas, verdes
- São verdes agora!
Ganham movimento,
Têm vibração,
Murmuram,
E passam
- Como aquela voz que encheu de saudade
O meu coração





Aves de Um Parque Real - As Canções de António Botto - Editorial Presença 1999