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segunda-feira, 28 de abril de 2008

Políbio Gomes dos Santos

Poema da Voz Que Escuta

 

Chamam-me lá em baixo.

São as coisas que não poderam decorar-me:

As que ficaram a mirar-me longamente

E não acreditaram;

As que sem coração, no relâmpago do grito,

Não poderam colher-me.

Chamam-me lá em baixo,

Quase ao nível do mar, quase à beira do mar,

Onde a multidão formiga

Sem saber nadar.

Chamam-me lá em baixo

Onde tudo é vigoroso e opaco pelo dia adiante

E transparente e desgraçado e vil

Quando a noite vem, criança distraída,

Que debilmente apaga os traços brancos

Deste quadro negro - a Vida.

Chamam-me lá em baixo:

Voz de coisas, voz de luta.

É uma voz que estala e mansamente cala

E me escuta.

sábado, 26 de abril de 2008

Políbio Gomes dos Santos

 

 

Poeta português, Políbio Gomes dos Santos nasceu a 8 de Agosto de 1911, em Ansião, e morreu precocemente, vítima de tuberculose, a 3 de Setembro de 1939, na mesma localidade.

Frequentou o Instituto dos Pupilos do Exército, que abandonou, passando para Coimbra, onde viria a matricular-se nos cursos superiores de Letras e de Direito. Não terminou os seus estudos, vítima, aos 28 anos, de tuberculose. Teve, porém, tempo para se afirmar, nos círculos universitários e literários de Coimbra, como uma das grandes promessas da poesia da sua geração. Ligado à primeira geração neo-realista, colaborou em publicações como Cadernos da Juventude, O Diabo e Sol Nascente. Em 1938 publicou As Três Pessoas.

No ano da sua morte veio a lume o belo livro Voz que Escuta, inserto na colecção Novo Cancioneiro, onde se afirmaram poetas conotados com a estética poética neo-realista, como João José Cochofel, Fernando Namora, Joaquim Namorado, Mário Dionísio e Carlos de Oliveira.

Toda a poesia de Políbio Gomes dos Santos foi depois coligida num só volume, Poemas, publicado em 1981.

Bibliografia: As Três Pessoas, Coimbra, 1938; Voz que Escuta, Coimbra, 1944; Poemas, Porto, 1981

(Fonte: infopedia)